Palhaços Trovadores rompem a fronteira do Pará e circulam pelo nordeste brasileiro

Escrito em 6 de julho de 2011, pela jornalista Luciana Medeiros, e postado em seu blog, o Holofote Virtual
Contemplados com o Prêmio Teatro Myrian Muniz da Funarte, o grupo reconhecido como Núcleo de pesquisa da linguagem do palhaço, está na estrada levando ao nordeste o espetáculo “O hipocondríaco”, adaptação da obra “O doente imaginário”, de Molière. Ao todo serão três cidades visitadas pelo grupo, que vem desde 1998 valorizando a cultura popular com seus folguedos, pastorinhas, boi-bumbá e quadrilha, lendas, mitos, trovas e canções da cultura amazônica.
O projeto “Palhaços na Estrada” foi o único do Pará a receber o prêmio da Funarte na modalidade Circulação de Espetáculos e Montagem de espetáculos, em 2010. O objetivo era chegar em cinco
cidades paraenses e três no nordeste.
“Já foi cumprida a fase local do projeto, com apresentações nas cidades paraenses de Salinas, Bragança, Barcarena, Soure e Salvaterra. No dia 1º de julho, partimos rumo ao nordeste brasileiro, para nos apresentarmos nas cidades de São Luís (Maranhão), Fortaleza (Ceará) e Salvador (Bahia). Estamos realizando duas apresentações em cada cidade. Assim, levaremos nossa arte e com ela, a cultura paraense para outras paragens”, diz Suani Corrêa, dos Trovadores.
Primeiro grupo a trabalhar e pesquisar a linguagem do clown em Belém do Pará, os Trovadores vem promovendo o encontro do povo com sua cultura, de modo lírico e cheio de graça, em apresentações que ocupam logradouros públicos – ruas, praças, centros comunitários, escolas – visitando bairros, distritos e pequenas cidades do interior.
“É sempre bom viajar com a trupe, conhecer novos lugares e público. É sempre um desafio também, pois nunca sabemos exatamente o que vamos encontrar, com relação a espaços e platéia”, diz Marton Maués, fundador do grupo.
Antes de pegar a estrada para além das fronteiras do Pará, o grupo conta que esteve em algumas cidades do interior, onde muita coisa já aconteceu e nem sempre, como em toda empreitada destas, estão livres de dificuldades e situações que até podem parecer engraçadas.
“Em alguns lugares a acolhida é muito boa e mesmo em espaços improvisados o espetáculo acontece, flui e a relação artista e público se completa plenamente. Mas estamos sempre sujeitos a acontecimentos inusitados: em Barcarena, por exemplo, mesmo com a praça mal iluminada (e isso verificamos em outras cidades também), o espetáculo ia bem, porém uma chuva fortíssima caiu no finalzinho e tivemos, artistas e público, que sair correndo”, conta Marton.
Nessa hora, de acordo com ele, o jeito é pensar rápido e trabalhar em equipe, porque há equipamentos de som e luz e instrumentos que precisam ser preservados. Mas nem sempre é assim e na maioria das vezes, graças ao bom humor e amor pela arte que há no coração de cada um dos Trovadores, tudo acaba dando certo.
“Em Salvaterra aconteceu tudo certo, espaço bom, público excelente e espetáculo correndo solto, com todos se divertindo. É isso que queremos, levar diversão e arte para todos. E sempre depois destes encontros, voltamos renovados”, afirma o ator e diretor.
Nordeste – Esta semana, porém, a viagem se tornou mais longa. No sábado, 02, e domingo, 03, estiveram em São Luiz se apresentando no projeto Gamar, que atende crianças e jovens em situação de risco, moradores da cidade operária, na periferia da capital maranhense. No domingo chegaram até uma cidadezinha a 20 minutos da capital, chamada Raposa, apresentando-se à comunidade local.
Na última segunda-feira, 04, pegaram a estrada novamente e na terça-feira, 05, já estavam em Fortaleza, onde apresentaram o Hipocondríaco no Sesc da cidade, para um público de 400 crianças. Nesta quarta-feira, 06, fazem mais uma apresentação na cidade logo mais, às 15h, no Teatro do Emiliano Queiroz.
Amanhã, quinta-feira, 07, pegam novamente a estrada e partem para Salvador, mas antes param em Recife, apenas para dormir. Na capital baiana, os Trovadores farão duas apresentações. No sábado, 09, no Teatro Martim Gonçalves, da Escola de Teatro da UFBA, às 16h, para o público em geral, e no domingo, 10, às 16h, no Cineteatro Solar Boa Vista.
“Neste espaço, faremos de manhã, 10h, a apresentação de outro trabalho, o mais recente da trupe, ‘O Menor Espetáculo da Terra’. Está sendo tudo ótimo. Público diferente, uma nova experiência para nós. Tem sido muito divertido. No mais, é fé em deus e pé na estrada”, conclui Marton, que se comunicou com o Holofote Virtual para nos contar as novidades vividas pelo grupo nos últimos dias.
“O Hipocondríaco” – O espetáculo levado na bagagem é uma livre adaptação do clássico francês “O Doente Imaginário”, de Molière, contemplado, em 2006, com o prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional de Arte, Funarte. A peça conta a história de um velho senhor, Argan, rico, avarento e com mania de doenças, que quer casar a filha, Angèlique, com um médico, Thomas Disáforus, para economizar nas consultas e receitas.
Ele é apaixonado pela segunda esposa, Bèline, amante do tabelião Boafé e com o qual tenta armar um golpe para ficar com a fortuna do velho. A empregada, Toinette, juntamente com o irmão do hipocondríaco, Beraldo, desmascaram a esposa desonesta e ainda ajudam a mocinha a ficar com Clèante, o rapaz que ela realmente ama.
No espetáculo dos Palhaços Trovadores, a trama é representada por um grupo de palhaços de um circo decadente. Como na estrutura dos folguedos populares, objeto de pesquisa do grupo, o elenco entra cantando uma canção de chegada e permanece em cena durante toda a representação, saindo ao final com uma canção de despedida. A música está sempre apresentando os personagens, como acontece também nos brinquedos populares, são todas originais e executadas ao vivo pelo grupo.
Além do patrocínio do edital do Prêmio Myriam Muniz da Funarte/MINC, a empreitada tem ainda apoio das Unidades do Sesc (Salinas, Fortaleza, Salvador), Museu da Marujada (Bragança), Prefeitura de Soure e Prefeitura (Ação Social) de Salvaterra, Raquel Franco e Michelle Cabral (Maranhão), Vanéssia Gomes (Ceará).
FICHA TÉCNICA
 Elenco: Marcelo Villela (Tchelo/Argan); Cleice Maciel (Pipita/Angélique); Suani Corrêa (Aurora/Angélique); Joyce Baruel (Baru/Béline); Alessandra Nogueira (Neguinha/Toinette); Sonia Alão (Pirulita/Toinette); Adriano Furtado (Geninho/Beraldo); Ramon (Ramão/Cleanto); Marcelo David (Feijão/Dr. Disáforus); Jorge Torres (Ricardio/Thomas Disáforus); Isac Oliveira (Xuxo/Fleurant, o boticário); Patrícia Pinheiro (Tininha/Boafé, o tabelião); Romana Melo (Estrelita/Purgon); Marton Maués (Tilinho/reitor).
Consultoria: Maria Sylvia Nunes; Figurinos e projeto cenográfico: Aníbal Pacha; Confecção de figurinos: Ray Tavares; Composições e Direção Musical: Marcos Vinícius; Músico convidado: Armando Mendonça Filho; Confecção de cenários e adereços: Isac Oliveira, Aníbal Pacha e Marcelo Villela; Cartaz: Henrique da Paz (desenho) e Andréa Kellerman (arte final); Adaptação final do texto, Criação do Cenário, Produção e Direção Geral: Marton Maués; Produção: Danielle Blanco.

http://holofotevirtual.blogspot.com/

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